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Epoca : Íntegra da entrevista com o guru Srikumar Rao
July 08, 2006
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Íntegra da entrevista com o guru Srikumar Rao
ÉPOCA - O que é um "livro de trabalho para a criação de mudança profunda"? Não é auto-ajuda?
Srikumar Rao -O que eu quero dizer é que, quando as pessoas lêem meu livro e fazem meus exercícios, isso realmente faz uma tremenda mudança em suas vidas. E não só em suas vidas profissionais, mas em qualquer parte da vida. Dúzias de meus estudantes me contam que suas relações mudaram com as crianças, com os pais, com o chefe, colegas, clientes. Tudo muda.
ÉPOCA - Por que ensinar isso em um MBA? Rao -
Porque é muito relevante para um MBA. Mas eu acho que a distinção que a gente faz entre vida profissional e vida pessoal é grandemente artificial. Há apenas uma vida. Meu curso funciona porque ele fundamentalmente muda o que a pessoa é. As duas coisas, vida pessoal e profissional, andam juntas.
ÉPOCA - Isso não se parece um curso de MBA. Rao -
Eu diria que não. Essa é uma das razões por que, pelo meu conhecimento, meu curso é o único em qualquer escola de negócios de ponta que tem sua própria associação de alunos. Escolas e universidades têm associações, mas o meu curso sozinho tem a sua.
ÉPOCA - Alguns de seus alunos o vê como guru? Rao - Eu espero que não. Eu não sou responsável pelo que as pessoas devam fazer.
ÉPOCA - O senhor dá conselhos? Rao - Eu sou procurado por dúzias de alunos e ex-alunos, mas eu vejo como uma consulta, por eles valorizarem minha opinião. Não aquela coisa de guru que diz o que você deve ou não fazer.
ÉPOCA - Como o senhor chegou a seus métodos? Rao -
Ao longo do tempo. Quando eu cresci, minha mãe era uma pessoa muito espiritual. Originalmente ela era hindu, mas tinha a mente muito aberta a todas as diferentes tradições. Eu li livros de todas as principais tradições religiosas. Depois de algum tempo eu absorvi muito disso. Depois, quando eu estava na universidade de Long Island, eu tirei um ano para simplesmente pensar sobre tudo isso e pus tudo em ordem. O curso foi bem e eu me mudei para Columbia Business School. Ele foi bem por um par de anos e então explodiu.
ÉPOCA - Que tipo de literatura serviu de base? Rao - Minhas leituras são muito amplas. Todos os livros que estão na lista de leituras de meu site na internet eu li.
ÉPOCA - E sua formação acadêmica? Rao - Eu tenho um PhD em marketing de Columbia.
ÉPOCA - Por que o seu curso está em uma escola de negócios e não outra, como de filosofia? Rao -
Acho que eu poderia, mas eu não estou familiarizado com outros departamentos da universidade. Meu treinamento e minhas credenciais profissionais são em negócios e eu consigo ver aplicabilidade no que eu estou ensinando em negócios.
ÉPOCA - O que seus alunos procuram em suas aulas? Rao - Basicamente, o que eu ensino as pessoas é como levar significado para suas vidas, e isso é uma condição universal. Todo mundo quer ter, no trabalho ou em outros relacionamentos. Obviamente isso é algo que eles acham útil e relevante. Na maior parte dos cursos e escolas esse é um tema que não é sequer mencionado! É por isso que meu curso é tão popular.
ÉPOCA - O senhor sentiu alguma resistência? Rao - Alunos de escolas de negócios por definição são céticos. Sem esse temperamento, eles nem estariam em uma escola de negócios. No meu curso, eles ouvem de mim: não aceitem nada do que eu digo de boa-fé. Vocês não devem aceitar. Tentem o que eu digo, e se funcionar para você, em sua vida, então aceite. O curso é tão popular porque funciona na vida deles.
ÉPOCA - Todos tentam? Rao - Ah, sim. O curso exige muito trabalho. Começa na hora de entrar. Em escolas de negócios de ponta, como Columbia e London Business School, existe o sistema de leilões: cada aluno recebe uma quantidade de pontos e depois faz lances com esses pontos para conseguir uma vaga em um curso. No meu curso não se pode fazer isso. Você tem que se inscrever e ser aceito. Apenasl para se inscrever, eles precisam escrever sete ensaios, apresentar currículo, trazer recomendações e passar por uma entrevista.
ÉPOCA - É o mais difícil de se conseguir uma vaga? Rao - É muito difícil entrar. E depois que você entrou há muito trabalho a fazer. Eles precisam ler seis livros e escrever três trabalhos antes de nós nos encontrarmos pela primeira vez. Em um semestre eles têm que fazer mais de duzentas páginas de trabalhos escritos.
ÉPOCA - Que tipo de exercício eles fazem? Rao - Os que estão no livro. Muitos dos exercícios do livro foram na verdade tirados do curso.
ÉPOCA - Ninguém deles espera ver um pouco mais de matemática? Rao - Isso está muito claro para eles. Todos sabem onde entraram. Nunca tive esse tipo de situação.
ÉPOCA - Seus alunos voltam para o mercado de trabalho? Rao - Sim, a maioria! Estão por toda parte! Nas grandes firmas de consultoria, como BCG, Bain, Booz Allen, nos bancos como Morgan Stanley, Goldman Sachs, Bear Sterns, CSFB, Deutsche Bank, em companhias como Estée Lauder. Por toda parte.
ÉPOCA - O senhor propôs o curso ou foi convidado? Rao - Eu propus. Eles disseram: nós tentamos muitos cursos novos, vamos tentar. Eles ficaram surpresos ao ver como o curso era popular. Agora vou dar aulas na London Business School, no outono, e volto para Columbia em janeiro. E retorno para Londres em abril.
ÉPOCA - Seus colegas de universidade estranham o perfil do senhor? Rao - Eles sabem que eu sou muito diferente deles. Alguns deles me aceitaram com dificuldade, mas eu recebo muitos e-mails de colegas dizendo: "obrigado por trazer uma publicidade tão ampla para o nosso trabalho". Isso torna meu trabalho mais fácil. Obviamente as pessoas que não gostam não escrevem para mim, mas há pessoas que estão muito tocadas pelo que estou fazendo.
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